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Órgão da Justiça do PR que decidiu que homem não teve intenção de matar companheira ao atear fogo nela é composto apenas por desembargadores homens

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Especialista diz que decisão de Justiça formado apenas por homens está ligada ao machismo A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, que decidiu que José Rodrigo Bandura não teve a intenção de matar a companheira ao atear fogo nela, é composta apenas por homens. Ao todo, cinco desembargadores e quatro substitutos fazem parte do órgão colegiado. Para a advogada e professora de Direito Penal da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Gisele Mendes, a falta da participação de mulheres em tomadas de decisões em casos como este colabora para a perpetuação do machismo estrutural. A especialista afirma que a presença de mulheres nos órgãos de Justiça — como a 1ª Câmara Criminal — poderia "mostrar o olhar da vítima", com mais sensibilidade e empatia em relação à aplicação das leis. Atualmente, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) é composto por 952 magistrados, sendo 396 mulheres (41,6%) e 556 homens (58,4%). Em todo o Poder Judiciário brasileiro, as mulheres magistradas são 40%. No TJ-PR, 109 homens têm o cargo de desembargador, enquanto apenas 25 mulheres ocupam a mesma posição. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp "A gente vai tecendo essa cadeia em que a mulher não consegue entrar nesses mecanismos de tomada de poder. [...] O julgamento precipitado dos desembargadores, fulcrado no machismo estrutural, leva a decisões extremamente machistas, misóginas e que discriminam a mulher, como se a vida dela valesse menos, e que fosse uma mera lesão corporal, aquilo que na verdade é uma clara tentativa de feminicídio", afirma Gisele. No acórdão publicado no dia 15 de maio, os desembargadores Miguel Kfouri Neto, Mauro Bley Pereira Junior e Rotoli De Macedo votaram a favor do recurso apresentado pela defesa de Bandura. Com isso, mudaram a tipificação do crime de tentativa de feminicídio para lesão corporal grave. Por causa da decisão, o caso não deve mais ir ao Tribunal do Júri. Saiba mais sobre a decisão abaixo. Para a advogada, o machismo estrutural ainda est...