Antonio Fagundes remonta em SP comédia inspirada em situações reais do teatro: 'O palco é sagrado'
Elenco da peça "Sete Minutos", dirigida por Antonio Fagundes Ronaldo Gutierrez Antonio Fagundes entra no teatro em silêncio, sobe ao palco, senta-se em um sofá que integra o cenário e olha serenamente a correria da produção para a montagem de “Sete Minutos – Uma Comédia no Tempo Certo”. A calma pode ser só aparente, mas o tom de voz e a velocidade da fala indicam que este homem, com 60 anos de carreira nos palcos e telas, tem uma relação diferente com o tempo. Tempo é um dos assuntos do texto deste espetáculo de autoria do próprio Fagundes. Não é sobre envelhecimento, ou a passagem dos anos, mas sobre quanto de atenção exclusiva as pessoas dedicam a interesses particulares. No caso de Sete Minutos, o teatro. “Esse aparelhinho que a gente fica passando o dedo”, conta, fazendo o gesto de quem mexe ao celular, “no fim do dia, você tem lá 5 mil informações, e o cérebro não consegue registrar tudo isso. Nesse dedinho tem muita coisa importante que está sendo jogada fora. O fato de a gente não estar conseguindo prestar atenção faz com que a gente deixe de ser bons cidadãos, eleja pessoas erradas, não lute pelas nossas liberdades democráticas, perca o interesse pela vida”. E olha que o texto original vem de uma época em que os celulares eram bem menos presentes do que hoje. A reflexão de Fagundes procura ecos da peça na vida fora dos teatros. “O palco é sagrado” Até agora, Sete Minutos tinha sido encenada apenas uma vez, em 2002, quando o próprio Fagundes interpretava o personagem principal, com direção de Bibi Ferreira. Foram três anos em cartaz e cerca de 300 mil espectadores no Teatro Cultura Artística, no Centro de São Paulo, antes do incêndio que fechou a casa por 16 anos. A história começa com um ator veterano em cena, irritado com barulhos insistentes da plateia e com um espectador que tira os sapatos e apoia os pés no palco. O protagonista abandona o espetáculo desiludido com a falta de interesse que ele sente do público. “Escrevi Sete Minutos e foi quase como...
Original source: G1 Brazil