Primata ameaçado sofre com 'efeito de aglomeração' e risco silencioso de extinção
Primata ameaçado sofre com 'efeito de aglomeração' e risco silencioso de extinção Encontrar muitos animais de uma espécie criticamente ameaçada em um mesmo local costuma ser motivo de comemoração para a conservação. No entanto, para o guigó-da-Caatinga (Callicebus barbarabrownae), primata endêmico do semiárido brasileiro, essa aparente abundância é um alerta vermelho. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp Um novo estudo publicado na revista científica Journal for Nature Conservation revela que a destruição do bioma está forçando esses animais a se aglomerarem nos poucos remanescentes de floresta que ainda existem. A pesquisa foi conduzida por Bianca Guerreiro, mestra e doutoranda em Ecologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com orientação dos pesquisadores Míriam Plaza Pinto (UFRN) e Raone Beltrão-Mendes (ICMBio). Os cientistas visitaram 30 fragmentos florestais e registraram uma densidade de grupos muito superior à observada em estudos anteriores com a mesma espécie ou com outras aparentadas. Guigó-da-Caatinga (Callicebus barbarabrownae) corre risco de extinção marcosilva / iNaturalist VEJA MAIS: Nova espécie de rã-veneno 'rara' é descrita na Amazônia Gêmeos celebram 15 anos de observação de aves com registros raros Terra da Gente promove fórum gratuito de educação ambiental; veja programação O perigo do "efeito de adensamento" A explicação para essa superpopulação local é o chamado "efeito de adensamento". Com a paisagem fragmentada pelo desmatamento e o isolamento das áreas de mata, os grupos não encontram para onde ir. "O principal problema não é apenas viver em fragmentos pequenos, mas sim o isolamento. Quando os grupos ficam confinados, a dispersão entre áreas se torna difícil ou impossível", explica a pesquisadora Bianca Guerreiro. Mais da metade da área original de ocorrência do guigó já foi convertida para usos humanos, como a agropecuária. Como o guigó é um primata que depende diretamente das árvores e raramente...
Original source: G1 Brazil