Testes falhos e práticas funerais da região permitiram que ebola se espalhasse sem ser detectado
Homem é retirado de ambulância ao chegar ao Hospital Geral de Referência de Bunia, após confirmação de um surto de Ebola. Victoire Mukenge/Reuters Quando autoridades de saúde confirmaram novos casos de Ebola no leste da República Democrática do Congo na semana passada, o número de infecções suspeitas já colocava o surto entre os maiores da história do país. Uma série de falhas e dificuldades atrasou a identificação da doença, disseram à Reuters dois funcionários congoleses envolvidos na resposta à crise. Isso permitiu que o vírus se espalhasse sem ser detectado para áreas controladas por rebeldes no leste do país e também atravessasse a fronteira até Uganda. Segundo os funcionários, práticas funerárias locais ajudaram na disseminação do vírus antes que qualquer alerta fosse emitido. Além disso, exames em um laboratório local foram feitos com testes calibrados para a cepa errada do Ebola, e amostras enviadas para a capital Kinshasa não foram armazenadas nem transportadas corretamente. Especialistas afirmam que os atrasos podem comprometer os esforços para conter o surto, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou no fim de semana como emergência de saúde pública de interesse internacional. “É um caos espalhado neste momento. Não acho que tenhamos sequer uma ideia real de quantos casos existem”, disse Craig Spencer, médico emergencista e professor de saúde pública da Universidade Brown. “Vai levar bastante tempo até que seja possível entender completamente o que aconteceu.” LEIA TAMBÉM: Como começou a epidemia de ebola na África, que se tornou emergência de saúde pública internacional? OMS declara surto de Ebola na África emergência pública global Profissional de saúde foi o primeiro caso conhecido O foco do surto está na província de Ituri, no nordeste do Congo, uma região remota marcada por infraestrutura precária de saúde e conflitos armados. A OMS informou até agora 80 mortes suspeitas, oito casos confirmados em laboratório e 246 casos suspeitos no Co...
Original source: G1 Brazil