Ele matou seu pai abusivo e foi preso por 12 anos — mas a família defende sua libertação
Moisés e Sara Martínez BBC: SARA MARTÍNEZ Importante: esta reportagem contém detalhes de abusos sexuais, físicos e emocionais, que podem ser perturbadores para alguns leitores. Sara Martínez insistiu para que seu irmão Moisés, de 28 anos, não confrontasse seu pai sobre o que ela descreve como anos de abusos sofridos nas mãos dele. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O mês era maio de 2025, nos subúrbios da capital uruguaia, Montevidéu. Moisés havia acabado de ficar sabendo que seu pai, Carlos, teria abusado física e sexualmente da sua mãe e das duas irmãs, quando eram crianças. No dia seguinte, Moisés Martínez disparou 14 tiros contra o seu pai e ficou esperando por dois dias ao lado do corpo, até se entregar. Agora, ele cumpre pena de 12 anos de prisão, após um julgamento que os cidadãos uruguaios puderam acompanhar ao vivo pelo YouTube e causou indignação popular no país. Suas irmãs e sua mãe acreditam que ele deveria ter sido perdoado. Elas tentam, agora, recorrer da condenação. Carlos Martínez era o pai de Sara e Moisés BBC/SARA MARTÍNEZ Contendo as lágrimas, Sara Martínez, hoje com 27 anos, conta à BBC a dolorosa conversa que levou ao ocorrido. Foi apenas ali que ela ficou sabendo que Carlos passou anos agredindo e abusando fisicamente de Moisés, segundo ela. "Nunca conheci totalmente a extensão do trauma que ele carregava", conta Sara. "Existem muitas coisas que só descobrimos durante o julgamento." Moisés e suas irmãs tinham muito medo do seu pai, segundo ela. "Ele era como uma figura onipresente. Mesmo quando não estava ali, inspirava terror." "De madrugada, ele se levantava, nos levava para o banheiro, abria o chuveiro e nos deixava sob a água fria por horas", relembra ela. Sara conta que Carlos abusava sexualmente dela e da sua irmã mais velha, Ana. Ela confidenciou a Moisés que, depois de cada caso de abuso, seu pai chorava e implorava por perdão, trazendo para ela um alfajor que ela adorava. "Agora, não consigo nem comer", ela ...
Original source: G1 Brazil