Pós-graduação em Psicanálise: quem pode fazer ou por que fazer?
Quando nos perguntamos sobre quem pode ou não fazer algo, estamos nos localizando no âmbito do direito, da legitimidade, mas também, da correção sobre a decisão. Para que possamos avaliar bem uma escolha tão importante como essa, que pode vir a definir rumos significativos em nossos processos de identificação com o trabalho, com nossa forma de ser e estar no mundo a partir da construção de um lugar social, faz-se igualmente necessário que dobremos a aposta: além da pergunta sobre “se podemos ou não fazer”, que alcemos a questão a uma dimensão ética de “se devemos ou não fazer” e “quando fazer ou não”. Note-se que o dever aqui não tem o sentido cívico ou mandatório, como uma obrigação, mas abre a discussão a respeito daquilo que nos move. E se há alguma coisa que a psicanálise nos ensina ao longo de nossos percursos é que decisões tomadas por motivos suficientemente bem analisados podem fazer com que não venhamos a recair no risco de trairmo-nos. Do ponto de vista da legitimidade, o campo psicanalítico há muito tempo abandonou a premissa de que o exercício da psicanálise deveria ser restrito aos profissionais graduados em medicina ou psicologia. Considerando que a formação psicanalítica não se dá em cursos de estrutura universitária, mas sim, em escolas de psicanálise a partir da formalização do tripé (estudo teórico, atendimento supervisionado e análise pessoal), não faz sentido exigir que as graduações de origem sejam especificamente nessas áreas. E, para cada caminho, encontramos obstáculos diferentes. Por outro lado, também há um consenso de campo de que há uma exigência mínima de alguma formação superior para que o ingresso numa formação seja aceito. Entende-se com isso que a psicanálise não pode ser um saber unívoco e totalitário. Se partimos da psicologia, dialogamos desde o princípio com diferentes abordagens e visões da psicopatologia. Se iniciamos na medicina, com diferentes modos de tratamento e visões sobre o funcionamento orgânico e suas interações co...
Original source: G1 Brazil