Por que precisamos tratar a Terra como uma nave espacial
Reid Wiseman, astronauta da Artemis II, observa a Terra enquanto missão segue à Lua Reprodução/NASA Quatro humanos deram recentemente uma volta na Lua na missão Artemis. Sua nave, uma cápsula espacial, era uma fina estrutura metálica cujo sistema de suporte os mantinha vivos: ela fornecia uma atmosfera cuidadosamente equilibrada, um circuito fechado de água, um suprimento limitado de alimentos e um meio para eliminar resíduos humanos. O suporte de vida não era opcional. Era uma necessidade. Pense nisso: nem uma única vez na história dos voos espaciais tripulados se sabe de algum astronauta que tenha interferido em seu sistema de suporte de vida. Ninguém jamais decidiu liberar um pouco de oxigênio por diversão. Ninguém defendeu o direito pessoal de aumentar sua emissão de CO₂. Sabotagem é impensável – socialmente intolerável. Seus colegas de tripulação e o controle de missão interviriam imediatamente. Agora pense na Terra. Estamos fazendo com o nosso sistema de suporte de vida planetário o que nenhum astronauta fez com o dele. Estamos prejudicando-o deliberadamente – emitindo carbono, acidificando os oceanos, removendo a camada superficial do solo e destruindo a biodiversidade – não por malícia, mas com indiferença. É legal. É lucrativo. E, na maioria dos círculos, é totalmente socialmente aceitável. Vídeos em alta no g1 A romancista vitoriana George Eliot teria entendido o porquê. Em Middlemarch, ela nos mostrou uma cidade que preferia um mito satisfatório e simples (de que um charlatão carismático pode curar doenças) a verdades difíceis e complexas (o papel dos germes, das estatísticas, da mudança lenta e sistemática). Os seres humanos, argumentava ela, não buscam naturalmente o que é verdadeiro. Buscamos o que está próximo, é simples e emocionalmente gratificante. A ciência climática é o antimito. É demorada, difusa, impessoal e global. Ela nos pede para mudar nosso comportamento hoje em prol de um benefício que só chegará daqui a décadas, em outro lugar do pla...
Original source: G1 Brazil