Global·NewlyNewsBR

Mosquito 'antidengue': técnica com bactéria reduz dengue, mas expansão trava; entenda o método

BR · · G1 Brazil

Mosquitos Aedes aegypti são mantidos em gaiolas para que pesquisadores coletem seus ovos, em um laboratório da empresa de biotecnologia Wolbito. Nelson Almeida/AFP Quase com carinho, o cientista Luciano Moreira segura uma caixa de vidro na qual se agitam mosquitos "antidengue": uma aposta que se mostrou eficaz contra a doença, mas que revela limites para se expandir no Brasil. Para que ninguém descubra os segredos do método, os assessores de Moreira pedem que não fotografem o equipamento desta biofábrica em Curitiba, onde funciona o maior criadouro de "wolbitos" do mundo. É assim que este renomado entomólogo, de 59 anos, chama os Aedes aegypti inoculados com a Wolbachia, uma bactéria que os impede de desenvolver o vírus da dengue. "A gente está em um momento decisivo para conseguirmos nos expandir pelo Brasil", diz à AFP Moreira, reconhecido por seu trabalho em 2025 entre os dez cientistas de maior destaque do mundo pela revista Nature e, neste ano, entre as 100 pessoas mais influentes da revista Time. VEJA TAMBÉM: A missão de uma cientista para conter a dengue no Brasil O método consiste em liberar "wolbitos" em áreas urbanas, onde, em questão de meses, eles substituem por transmissão geracional os mosquitos que transmitem a dengue. Embora a técnica funcione em 15 países, em nenhum protegeu tantas pessoas quanto no Brasil desde que Moreira começou a testá-la em 2011: um total de seis milhões. Mas ainda restam 207 milhões de cidadãos no país, o mais afetado pela dengue em 2024, com mais de 6.000 mortes, embora no ano passado a incidência tenha sido muito menor. 100 milhões de ovos por semana A biofábrica foi inaugurada em 2025 com o apoio da Fundação Oswaldo Cruz e a ONG World Mosquito Program (WMP). Em sua sala de reprodução, alguns dos seus 70 funcionários enxugam o suor. O aquecimento está regulado ao gosto dos mosquitos, confinados em grandes gaiolas iluminadas de tela translúcida. Eles se alimentam de sangue quente de cavalo e água com açúcar, que exal...