Chernobyl: zona proibida vira refúgio da vida selvagem
40 anos do desastre de Chernobyl Chernobyl é quase sinônimo de um território morto. Uma paisagem marcada por ruínas, radiação e um silêncio inquietante. E não é uma imagem exagerada: durante décadas, muitos cientistas deram como certo que as terras ao redor da usina permaneceriam biologicamente devastadas por gerações. Mas, quase quarenta anos após a explosão, a realidade se mostrou mais complexa — e surpreendente — do que se imaginava. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo Quando o reator explodiu em 26 de abril de 1986, as autoridades soviéticas evacuaram mais de 100 mil pessoas e estabeleceram uma zona de exclusão de 30 quilômetros ao redor da usina. Com o tempo, essa área seria ampliada até abranger cerca de 2.600 quilômetros quadrados em território ucraniano — maior que o município de São Paulo —, onde ficaram proibidos a residência, a atividade econômica e o acesso público. Desde então, a região permaneceu como uma das áreas com maior contaminação radioativa do planeta. No entanto, o que quase ninguém imaginava é que essa exclusão humana acabaria produzindo um efeito inesperado: transformar Chernobyl em um refúgio para a vida selvagem. Um santuário involuntário para a fauna silvestre Animais da reserva biológica e de radiação de Chernobyl Stanislav Gumenyuk/Wikimedia Commons/CC BY-SA 4.0 Hoje, a Zona de Exclusão de Chernobyl (CEZ, na sigla em inglês) abriga populações importantes de lobos-cinzentos, ursos-pardos, linces-euroasiáticos, alces, javalis, cervos-vermelhos e bisões-europeus. Até mesmo os cavalos-de-przewalski — uma espécie que chegou a ser considerada extinta na natureza até sua reintrodução no local no fim dos anos 1990 — circulam livremente pela região. Segundo explicou Nick Dunn, professor de Design Urbano da Universidade de Lancaster, ao site The Conversation, apenas em uma área específica do setor ucraniano já vivem mais de 150 exemplares da espécie. Chernobyl, 40 anos: em meio a guerras, quais as chances de um n...
Original source: G1 Brazil