Dos oito baixos aos palcos: reinvenção da sanfona abre caminhos para o futuro do instrumento
Luizinho Calixto com o neto e o filho, Thiago Calixto. O legado do pai segue firme no livro “Puxando o fole: a sanfona de 8 baixos e a alma do Nordeste”, de autoria dele. Obra que deve ser lançada ainda este ano. Três gerações ligadas pelo som do fole, respeito e memória Roxanny Fotografia / Reprodução Instagram As primeiras memórias musicais do paraibano Luizinho Calixto, referência do fole de 8 baixos, não começam no palco, mas sim na cozinha. Era ali que dona Maria mudava o ritmo do dia cantando músicas antigas enquanto cuidava da rotina da família. E com o olhar atento de mãe, percebeu cedo a admiração do filho pela sanfona. ✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 PB no WhatsApp Chamou o mais velho, Zé Calixto, já respeitado no oito baixos, e insistiu que o menino Luizinho também tinha jeito para a coisa. Pouco tempo depois, a sanfona já ocupava espaço nas mãos pequenas da criança. Coincidência ou não, aos oito (anos, não baixos), veio a primeira apresentação do garoto Luizinho, em uma rádio de Campina Grande. LEIA TAMBÉM: Entenda como a sanfona movimenta empregos, tradição e renda na Paraíba No meio dos adultos, tímido e ao mesmo tempo inquieto, como qualquer criança diante de tanta gente, Luizinho Calixto ainda não imaginava que aquele instrumento contaria a história de vida, sobrevivência e superação da própria família. Cresceu tocando e, aos poucos, tornou-se, junto à família Calixto, um dos principais responsáveis por levar o fole de 8 baixos para o mundo: “Foi difícil, sim. Mais difícil ainda é segurar essa popularização, que não é tão grande, né? Quase não temos instrumentistas de 8 baixos, é uma defasagem muito grande”, desabafa. Antes de fazer história nas mãos do garoto, o fole roncava nos braços do pai. João de Deus, seu “Dideus”, respeitado pelo jeito firme e pela habilidade com a sanfona. Tocava em festas, encontros e até para homens do cangaço, em uma época em que a música levava alívio aos caminhos mais duros do Nordeste. Foi nesse...
Original source: G1 Brazil