'Chefe pediu para prover': trocas de mensagens entre assessores indicam ordem prévia para conceder habeas corpus a traficante
Novos detalhes no caso do desembargador que deu HC a um traficante condenado a mais de 120 anos de prisão O Fantástico revelou detalhes inéditos no caso do desembargador que concedeu prisão domiciliar ao traficante internacional Gerson Palermo, condenado a mais de 120 anos de prisão. O caso foi analisado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que decidiu pela aposentadoria compulsória do desembargador Divoncir Maran. Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica apenas cinco horas depois de receber o benefício e está foragido até hoje. Em uma das conversas obtidas durante a investigação, o então assessor Fernando Carlana escreveu a uma colega: “Vai entrar esse HC. O chefe pediu para prover”. Segundo a investigação, a mensagem foi enviada antes mesmo de o pedido de habeas corpus ser oficialmente protocolado no sistema do tribunal. O benefício foi concedido durante um plantão judicial, em abril de 2020, no início da pandemia da Covid-19. O habeas corpus tinha 208 páginas e foi analisado em cerca de 40 minutos. Para investigadores e integrantes do CNJ, o tempo reduzido e as mensagens trocadas entre assessores indicam possível favorecimento ao traficante. Outra mensagem obtida pela investigação mostra uma assessora relatando irregularidades na tramitação da decisão. “Fiz uma gambiarra”, escreveu. Traficante condenado a 126 anos ganhou prisão domiciliar, rompeu tornozeleira e nunca mais foi encontrado Traficante condenado a 126 anos ganhou prisão domiciliar, rompeu tornozeleira e nunca mais foi encontrado Reprodução/TV Globo De acordo com o processo, foi o próprio assessor quem assinou eletronicamente a ordem que concedeu prisão domiciliar a Palermo usando o certificado digital do desembargador. Em depoimento ao CNJ, Divoncir Maran confirmou que autorizou o procedimento. Gerson Palermo é apontado pela Polícia Federal como um dos responsáveis por intermediar negociações entre facções brasileiras, como o PCC, e produtores de cocaína da Bolívia e da Colômbia. Ele também pa...
Original source: G1 Brazil