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Boias, robôs submersos e satélites: como cientistas medem o oceano para detectar o El Niño

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Boias, robôs submersos e satélites: como cientistas medem o oceano para detectar o El Niño Quando o Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos anunciou, no dia 14 de maio, que a chance de o El Niño se formar nos próximos meses subiu para 82%, esse número não veio de uma estimativa de qualquer. Veio de uma rede de equipamentos espalhada pelo Oceano Pacífico e pelo resto dos mares do planeta: boias ancoradas a milhares de metros de profundidade, robôs submersos do tamanho de um extintor de incêndio e até mesmo satélites que, do alto da órbita da Terra, conseguem perceber variações de poucos centímetros no nível do mar. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Sozinhos, cada um desses equipamentos veria apenas uma parte do oceano. Combinados, formam o que a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos EUA chama de "joia da coroa" do sistema global de observação do clima. Mas a história dessa rede começa em uma das grandes derrotas científicas do século passado: o El Niño de 1982-83, o primeiro evento muito forte da era moderna, não foi previsto nem detectado até estar quase no pico. E ele provocou uma seca devastadora na Indonésia e na Austrália, chuvas torrenciais no Peru e no Equador. Ao todo, prejuízos calculados em US$ 13 bilhões e milhares de mortes. Rede internacional de boias é usada para monitorar o Oceano Pacífico e detectar sinais do El Niño. NOAA Em outras palavras, o fenômeno passou pela frente dos modelos climáticos como um trem sem maquinista. Assim, essa constatação de que o mundo não tinha como enxergar em tempo real o que acontecia no Pacífico Equatorial deu origem, dentro da NOAA, a um projeto para ancorar boias permanentes ao longo da linha do equador. Em janeiro de 1983, os pesquisadores instalaram então um primeiro protótipo de baixo custo, com termostato. Ele era um equipamento rudimentar, que media apenas vento, temperatura do ar e temperatura da superfície do oceano. A partir daí, o modelo foi ...