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Da cana ao copo: a tradição da cachaça artesanal mineira em Juruaia

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Altair Souza Rezende e seu alambique em Juruaia: há 25 anos produzindo cachaça artesanal numa tradição que resiste e se renova no Sul de Minas Foto: Divulgação. Existe uma bebida que resume melhor do que qualquer outra o jeito mineiro de viver: a cachaça de alambique. Não aquela produzida em escala industrial, sem rosto e sem história, mas a que nasce devagar, em cobre, com a cana colhida na hora certa e a fermentação acompanhada de perto por quem aprendeu o ofício observando os vizinhos, a tradição dos mais velhos e a paciência de quem sabe que bebida boa não tem pressa. No interior do Sul de Minas, essa tradição é rotina. A fabricação de cachaça em alambiques é declarada patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais por lei estadual de 2007, reconhecimento que atesta o peso histórico e cultural dessa prática na vida do mineiro, e os números confirmam: Minas Gerais é o maior produtor nacional de cachaça de alambique do país, com mais de 350 cachaçarias e quase 1.800 marcas registradas, de cada três cidades que possuem estabelecimentos registrados no Brasil, uma é mineira. O que faz a cachaça de alambique ser diferente A diferença começa no processo. A produção artesanal é realizada em escala menor, em alambique de cobre e de forma descontínua, o que significa que cada lote é único, produzido com atenção a cada etapa, sem a pressa da produção industrial. O resultado é uma bebida com personalidade própria, que carrega no sabor as características da cana, do solo, da água e das mãos que a produziram. A principal diferença entre a cachaça ouro e a cachaça prata está no armazenamento: a ouro é envelhecida em barris de madeira, como carvalho, amburana ou jequitibá, ganhando coloração dourada e sabores mais complexos e amadeirados, enquanto a prata é armazenada em dornas de inox, preservando o perfil original da cana. Nos alambiques do Sul de Minas, as duas versões têm seus devotos, e cada produtor tem sua receita preferida para cada uma. Uma tradição que atravessa ger...